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Atualmente a mídia tem
falado muito sobre a DIETA SEM GLÚTEN. Virou moda entre os famosos
como receita de emagrecimento e bem estar e por isso reportagens,
entrevistas e cardápios especiais tem sido divulgados. Muitas
pessoas que visitam o site "RioSemGlúten" não são celíacas, mas buscam
aqui informações que possam ajudá-las a entender o que é exatamente essa
dieta e porque tantas pessoas estão a tirar o glúten de suas vidas.
Para tentar esclarecer um
pouco, vamos resumir aqui de uma forma didática e simples, o que estamos
presenciando.
O glúten é uma proteína
presente no trigo, cevada, centeio e por contaminação cruzada, na aveia
(o plantio e beneficiamento da aveia no Brasil são feitos nos
mesmos locais em que o trigo e por isso ocorre a contaminação). Numa
dieta isenta de glúten esses cereais e seus derivados são substituidos.
Assim os pães, massas, bolos, tortas, pizzas, salgados e doces são
feitos com farinha de arroz, fécula de batata, polvilho doce ou azedo,
maisena, fubá, farinha de grão de bico, etc. Quem faz uma dieta sem
glúten precisa se adaptar a novos cardápios e sabores.
A Dieta sem Glúten vem sendo
recomendada como única forma de tratamento para a Doença Celíaca
desde a década de 1950. Mas como a doença até pouco tempo atrás
era considerada rara, pouco se falava dessa dieta e do seu
tratamento.
Nos quadros de alergia ao
trigo/glúten, também se recomenda uma dieta sem glúten. Uma das diferenças
entre esse tipo de alergia (mediada por IgE) e a doença
celíaca é que, no caso da alergia existem medicamentos e vacinas
para minimizar os sintomas ou dessensibilizar a pessoa das reações
ao alimento alergênico. Na doença celíaca ainda não existe cura para
essa reação autoimune ao glúten e o único tratamento é uma dieta
rigorosa isenta de glúten por toda a vida.
Sabemos, através de
estudos de pesquisadores americanos, australianos e europeus, que muitas
pessoas tem problemas com o trigo e o glúten, além dos alérgicos e
celíacos. A SENSIBILIDADE AO GLÚTEN representa
uma gama de situações, abrangendo desde as pessoas com leve intolerância
a essa proteína até os quadros graves de alergia alimentar e os de
doença celíaca (para saber um pouco mais sobre a Sensibilidade ao
Glúten leia a pesquisa do Dr Alessio Fasano - USA -
http://www.biomedcentral.com/1741-7015/9/23 e visite os sites:
http://www.theglutensyndrome.net/ e
http://gluten-intolerance-symptoms.com/ ).
Hoje já se fala em
20% da população ter sensibilidade ao glúten.
(Leia também o
Consenso sobre as Desordens
causadas pelo Glúten,
escrito por Alessio Fasano e
outros 14 médicos representantes de vários países e publicado em
fevereiro de 2012:
:
http://www.riosemgluten.com/Espectro_de_transtornos_relacionados_ao_gluten.pdf
)
No Brasil, profissionais de
saúde ligados à Terapia Ortomolecular (dieta do tipo sanguíneo) e à
Nutrição Funcional (dieta hipoalergênica) vem recomendando uma dieta sem
glúten a seus pacientes, independente de serem celíacos (leia o
texto da Dra Noadia Lobão:
Alerta para dieta sem glúten
). Também temos visto o uso da dieta sem glúten no
autismo (transtorno global do desenvolvimento - leia o blog:
Receitas
sem glúten e sem caseína da Claudia Marcelino).
Assim, são muitas pessoas a
retirarem essa proteína de sua alimentação cotidiana. Isso tem feito
crescer a oferta de produtos sem glúten no mercado e também aumentar o
nível de informação da população sobre o assunto. Mas ainda estamos
longe da realidade encontrada em outros países, onde em todos os
estabelecimentos que comercializam alimentos, encontramos opções
sem glúten nas prateleiras, balcões e cardápios.
Além da pouco oferta
de produtos sem glúten no mercado brasileiro e do alto custo financeiro
da dieta, o grande problema enfrentado pelo celíaco cotidianamente
é a questão da contaminação cruzada por glúten nos alimentos. O que é
isso ? São traços de glúten encontrados no ambiente, nos vasilhames,
fornos e ingredientes que contaminam os alimentos sem glúten e podem fazer
muito mal ao celíaco. Quantidades
minúsculas de glúten são suficientes para fazer o sistema autoimune reagir e
provacar um quadro de inflamação no intestino delgado do celíaco, além
do risco da permeabilidade intestinal e da passagem para a corrente
sanguínea de partículas mal digeridas de alimentos que podem causar mais
doenças.
A lei federal 10.674/2003
determina o uso das expressãoes "Contém Glúten" e "Não contém
glúten", conforme o caso, no rótulo dos alimentos brasileiros. Se na lista de
ingredientes constar trigo, aveia, cevada, centeio ou seus derivados, no
rótulo do produto tem que constar a inscrição "Contém glúten". A
lei nasceu para proteger o cidadão celíaco, mas como até hoje a ANVISA
não a regulamentou, o que está acontecendo é estarrecedor. Algumas
empresas, inclusive as grandes multinacionais, tem optado por usar a
expressão "Contém Glúten" em seus produtos de forma generalizada, mesmo
naqueles que não tem esse ingrediente, pois como há riscos de
contaminação cruzada por glúten, elas preferiram excluir o consumidor
celíaco de sua lista de clientes a fazer adequações para produzir de forma
segura produtos sem glúten. Nem fazer testes laboratoriais para
verificar se realmente acontece a contaminação elas tem interesse. O
curioso é ver que na Europa esses mesmos produtos não contém glúten.
Por
outro lado estão as empresas que reconhecem que pode haver contaminação
cruzada por glúten em seus produtos, mas além de não se interessarem em
fazer testes laboratoriais, continuam usando a expressão "Não
contém glúten", pois estão atendendo ao texto da lei (na lista
de ingredientes não consta glúten e por isso podem usar essa expressão).
Ao celíaco resta comprar e descobrir se aquele alimento é
seguro ou não, se vai alimentá-lo ou envenená-lo. A lei foi criada
para proteger, mas se tornou inócua frente à omissão da ANVISA em
regulamentá-la e ao desinteresse da Indústria Alimentícia em atender ao
consumidor celíaco, salvo belíssimas excessões. A inscrição "Não contém
glúten" deixa de ser uma segurança para o celíaco, obrigando-o a
desconfiar de cada produto novo que encontra.
Para entender mais sobre
contaminação cruzada por glúten, leia o texto:
Contaminação Cruzada por Glúten
Com o aumento da procura por
produtos sem glúten por um público mais diversificado (não só celíacos),
já estamos vendo alguns empresários interessados em investir na
fabricação desse tipo de alimento, mas que não serão recomendados para celíacos,
pois serão produzidos dentro de um ambiente e em máquinas que manipulam
glúten! O objetivo é
atingir aos que tem sensibilidade ao glúten sem serem celíacos, pois
estes podem suportar a presença de traços de glúten sem que isso
represente riscos à sua saúde. Os celíacos estão se tornando excluídos
dentro da sua própria zona de proteção, que são os produtos sem glúten !
Isis Valverde, atriz e
celíaca,
declarou em uma entrevista à Globo News que se sente um "esquilo", pois
precisa estocar alimentos em casa, pela dificuldade em encontrar
produtos sem glúten. Agora vamos encontrar os produtos, mas não vamos
poder comê-los ...
A Constituição Federal
nos garante o Direito à Alimentação, mas ainda temos um longo caminho a
percorrer até que esse direito seja realmente respeitado.
Raquel Benati - outubro de
2011
Celíaca
Professora de Artes
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