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Fotos Denise Videira
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Doença
inflamatória intestinal
X doença celíaca
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Quais são as diferenças entre estes dois males cujo alvo
preferido é o intestino
A
cada edição da ABCD em Foco esclarecemos, de diversas formas, os
sintomas da colite (ou retocolite) ulcerativa e da doença de
Crohn, as doenças inflamatórias intestinais que se caracterizam,
basicamente, por inflamação e ulceração no intestino. A colite
ulcerativa afeta o intestino grosso, ou cólon. Quanto à doença
de Crohn, atinge mais o intestino delgado, ou íleo, e também o
intestino grosso, sendo que ela pode causar prejuízos em qualquer
parte do sistema digestivo e em algumas partes do organismo como
um todo. Os maiores sintomas dessas doenças são diarréia e dor
no abdome. E quanto à doença celíaca, será que sabemos
estabelecer quais são as diferenças que existem entre ela e as
doenças inflamatórias intestinais?
“Por
definição, a doença celíaca é a intolerância permanente ao
glúten encontrado nos cereais, trigo, centeio, cevada e aveia”,
explica a Dra. Lorete Maria da Silva Kotze, especialista em
Gastroenterologia, Gastroenterologia Pediátrica e Clínica Médica
e membro titular da Academia Paranaense de Medicina.
“Diferentemente da doença de Crohn, a dor abdominal e a febre são
raras”, complementa a médica, que é fundadora da Acelpar, a
Associação dos Celíacos do Paraná, há oito anos. As
afinidades com a doença de Crohn e com a colite ulcerativa são
diarréia e emagrecimento.
Ao
contrário do paciente que tem a doença de Crohn ou a colite
ulcerativa duas doenças crônicas que podem provocar nos
pacientes períodos de crise e de remissão dos sintomas pode-se
imaginar que se o paciente da doença celíaca tirar o glúten da
sua alimentação, ou seja, não comer mais pão, macarrão,
bolachas, pizza, pastel, entre outros produtos que levam glúten,
ele não terá mais nenhum sintoma dessa doença, certo? Pode
apostar que sim, segundo os médicos. “A intolerância é para
toda a vida, mas retirados os agressores da dieta, o indivíduo
fica praticamente curado, diz a Dra. Lorete. Mas ela também faz
um alerta: “Se o paciente voltar a ingerir glúten, os sintomas
voltam, com maior ou menor intervalo e intensidade”,
complementa.
Em
tese, é mais fácil diagnosticar e conviver com a doença celíaca
do que com uma doença inflamatória intestinal. Para começar, o
diagnóstico é feito com um exame simples e fácil: a princípio
verifica-se, através de exames de sangue (sorologia), se há a
presença de anticorpos contra o glúten no seu organismo. Depois,
confirma-se o diagnóstico através da biópsia dos fragmentos do
intestino, que é realizada por meio do exame de endoscopia
digestiva alta. “O único tratamento para a doença celíaca é
alimentar”, afirma a Dra. Vera Lúcia Sdepanian,
gastroenterologista pediátrica, professora da Unifesp –
Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina e médica
responsável da Associação dos Celíacos do Brasil, a Acelbra,
na unidade de São Paulo. O paciente com doença celíaca pode
até comer pão, massas e macarrão, desde que esses alimentos
sejam feitos com substitutos do glúten ou seja, milho, fubá,
polvilho doce e azedo, tapioca, fécula de batata e farinha de
mandioca. “Ele precisa aprender a fazer as receitas e mudar
seus hábitos alimentares para o resto da vida”, diz a Dra.
Vera.
A
especialista chama a atenção para o fato de que as pessoas
precisam estar mais atentas para perceber a manifestação da doença
celíaca, que é de origem genética e afeta homens e mulheres de
qualquer idade. “Levando-se em conta que a alimentação das
crianças começa com papinhas, bolachas e pão, já na faixa de
idade de 1 a 3 anos alguns sintomas podem começar a aparecer, e não
precisam ser necessariamente diarréia”, explica a médica.
Como? Alguns exemplos: crianças que têm o humor muito alterado
(ou são exageradamente quietas, quase como se estivessem sempre
ausentes, ou são muito irritadas e choram sem motivo); crianças,
em idade escolar, que não crescem tanto quanto seria o esperado,
ou que têm o intestino muito preso. “Os pais não precisam
ficar assustados basta que fiquem atentos se esses comportamentos
acontecem e fatos ocorrem com freqüência com a criança e levá-la
para uma consulta com o gastroenterologista pediátrico, que é
quem pode fazer o diagnóstico da doença celíaca”, informa a médica. |
http://www.abcd.org.br/revista/doenca-inflamatoria.htm |
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Doença de
Crohn atinge jovens entre 15 e 35 anos
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29 Dez 2004
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A
causa da Doença de Crohn não é conhecida, o que se sabe é que
não é transmissível e que ocorrem alterações das defesas do
corpo, desencadeando o processo inflamatório. Ela é crônica,
pois afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado
(íleo) e do intestino grosso (cólon), mas pode comprometer
qualquer dos segmentos do canal alimentar, desde a boca até o ânus.
Habitualmente, causa diarréia, cólica abdominal, freqüentemente
febre e, às vezes, sangramento retal. Também podem ocorrer
perdas de apetite e de peso.
A Doença de Crohn não tem cura,
mas não é considerada uma doença fatal e seus portadores têm
uma vida quase normal.
A Doença de Crohn atinge
jovens entre 15 e 35 anos:
Estima-se que nos EUA haja mais de 2 milhões de pessoas com doenças
inflamatórias crônicas do intestino; 200 mil são crianças com
menos de 16 anos.
No País, o problema chama a atenção das autoridades de saúde e
existe até uma associação dos portadores da doença, presente
em quatro Estados.
Diagnóstico da doença conta atualmente com um moderno exame de
precisão, a cápsula endoscópica, que, ingerida, fotografa o
sistema digestivo.
SÃO PAULO - Nos EUA, a estimativa
é de que 2 milhões de pessoas sofram de doenças inflamatórias
intestinais (DII), pelo menos 200 mil desse total são crianças
com menos de 16 anos. Não há estatísticas oficiais sobre o número
de brasileiros com Doença de Crohn, um dos males pertencentes ao
grupo das DII, mas ela tem chamado a atenção das autoridades e
da sociedade em geral.
O Ministério da Saúde, desde julho de 2002, fornece
gratuitamente os principais medicamentos para o tratamento da doença
e existe até uma associação, com mais de 1.200 sócios,
exclusivamente dedicada, entre outras atividades, a realizar
programas educativos para os portadores dela e promover grupos de
auto-ajuda. A Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença
de Crohn (ABCD) foi fundada há cinco anos em São Paulo e tem
mais outros três escritórios nos estados do Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul e, em breve, deve inaugurar outros
dois em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
A doença existe em todas as partes do mundo, com taxas mais
elevadas nos países da região nórdica, da Europa e da América.
Ela incide preferencialmente em adolescentes e adultos jovens, na
faixa de idade entre 15 e 35 anos, podendo haver um segundo pico a
partir dos 55 anos, com predomínio no sexo feminino. Até o
momento, admiti-se maior prevalência entre brancos,
principalmente os de origem judaica, em indivíduos de classe sócio-econômica
mais alta, de profissões intelectualizadas e habitantes de
centros urbanos.
Cápsula endoscópica - Até o fim da década de 1990, não
existia um exame específico para identificar a Doença de Crohn,
e os pacientes eram submetidos a radiografia com contraste e
colonoscopia (tubo iluminado introduzido pelo ânus), por exemplo.
A solução para diagnosticar a doença com precisão e de forma
indolor surgiu em 2001, desenvolvida por técnicos israelenses: a
cápsula endoscópica, o mais moderno exame de precisão do mundo
para a identificação de enfermidades do aparelho digestório.
Trata-se de uma cápsula de vídeo do tamanho de uma pílula de
vitamina, como um endoscópio, com câmera e fonte de iluminação
próprias. Ingerida, enquanto ela percorre o aparelho digestório,
imagens vão sendo enviadas para um gravador de informações
colocado na cintura do paciente. Depois, as imagens são
analisadas por um médico por meio de um vídeo-monitor.
A cápsula endoscópica permite o exame das três porções do
intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), locais até hoje de
difícil visualização pelos exames convencionais. “A cápsula
é indicada também para o diagnóstico de outras doenças como
hemorragias digestivas ocultas, anemia crônica e tumores
intestinais benignos e malignos em que, na maioria dos casos,
outros procedimentos freqüentemente não alcançaram os
resultados esperados”, explica o dr. Ronaldo B. Oliveira, médico
gastroenterologista da Clínica Ana Rosa, de Santo André, cidade
do Grande ABC paulista, a segunda empresa no Brasil a adquirir a cápsula
endoscópica. Hoje, além da Clínica Ana Rosa, somente outros três
grandes hospitais da capital paulista possuem a tecnologia na região.
Fonte: www.abn.com.br
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