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Introdução A doença celíaca,
também denominada espru celíaco, é uma afecção inflamatória do intestino
delgado precipitada pela ingestão de trigo em indivíduos com certa disposição
genética. O início da doença ocorre mais comumente em torno da idade de dois
anos, depois que o trigo tiver sido introduzido na dieta, e no início da vida
adulta (terceira e quarta décadas). No entanto, a doença celíaca pode começar
em qualquer momento da vida. Em indivíduos sensíveis, a proteína do trigo, o
glúten, desencadeia uma reação inflamatória no intestino delgado, o que
resulta em uma diminuição da quantidade de área disponível para absorção
de nutrientes, líquidos e eletrólitos. O grau de perda da área absortiva
intestinal, em geral, dita se um indivíduo com doença celíaca desenvolverá
sintomas. Os indivíduos com doença celíaca podem apresentar sintomas severos,
como diarréia, fraqueza e perda de peso, indicando acentuada diminuição da área
absortiva intestinal envolvendo grande parte do intestino delgado. Por outro
lado, alguns indivíduos apresentam cansaço relacionado à anemia e não têm
sintomas referíveis ao trato gastrintestinal. Tais indivíduos provavelmente têm
doença limitada ao intestino delgado proximal, em que o ferro é normalmente
absorvido, sendo o restante do intestino adequado para absorção de nutrientes
e líquidos. Outras manifestações extra-intestinais de doença celíaca
incluem osteopatia osteopênica, tetania e raramente distúrbios neurológicos.
A hipersensibilidade ao glúten também pode manifestar-se como rash
vesicular pruriginoso e com dor em queimação nas superfícies extensoras do
corpo (dermatite herpetiforme). A maioria desses indivíduos tem biópsias
intestinais características de doença celíaca, independentemente de
sintomatologia gastrintestinal. Recentemente, com a
descoberta de anticorpos específicos para a doença celíaca, a triagem de famílias
de celíacos e populações selecionadas têm identificado um número crescente
de indivíduos assintomáticos que tem anticorpos circulantes e alterações nas
biópsias intestinais características de doença celíaca. Esses indivíduos
claramente têm uma hipersensibilidade ao glúten, mas não está claro se
desenvolverão a clínica de doença celíaca no decorrer do tempo. A remoção
do trigo (glúten) da dieta dos indivíduos com doença celíaca ou
hipersensibilidade ao glúten resulta em regeneração da área absortiva da
mucosa intestinal e resolução de sintomas na maioria dos pacientes. A doença celíaca (DC)
é usada para referenciar a necessidade geral de evitar glúten na dieta. Os
termos substituídos são: espru celíaco, doença celíaca, dermatite
herpetiforme (DH) e enteropatia sensível ao glúten (ESG). As doenças que
podem associar-se à doença celíaca incluem intolerância à lactose,
dermatite herpetiforme, diabetes mellitus tipo 1, lúpus eritematoso sistêmico,
doença da tireóide e distúrbios auto-imunes. Exceto por citações diretas e
referência médica a uma doença, CD é o termo universal usado. Glúten é o termo
geral usado para descrever a proteína tóxica encontrada em certos grãos ou em
seus derivados. Os principais grãos evitados são: trigo, centeio, aveia e
cevada. Em 250 AD, Galeno, um médico
romano, descreveu a doença celíaca da infância e do adulto. Em 1888, Samuel
Gee descreveu a doença celíaca na Grã-Bretanha e o papel da dieta em seu
controle. Dicke, na Holanda, durante a década de 50, sugeriu que certos grãos
de cereais da dieta eram prejudiciais para crianças com doença celíaca. Ele
também observou que pessoas com diagnóstico prévio de doença celíaca
melhoraram durante a II Guerra Mundial quando produtos de grãos eram escassos.
Quando os grãos se tornaram mais abundantes depois da guerra, a incidência de
doença celíaca voltou aos seus níveis de pré-guerra. Em 1954, Paulley
descreveu, pela primeira vez, a lesão intersticial, atrofia vilosa, em
pacientes com doença celíaca. Cyrus L. Rubin e cols., nos Estados Unidos,
demonstraram, em 1958, que a doença celíaca em crianças e adultos era distúrbio
idêntico. Na década de 80, Michael Marsh e cols., em Manchester, Inglaterra,
enfatizaram o papel do sistema imune em causar lesão intestinal na doença celíaca.
Essa é uma doença em que o revestimento do intestino delgado é lesado em
resposta à ingestão de glúten e proteínas semelhantes, que são encontradas
no trigo, no centeio, nas aveias, na cevada e em outros grãos, inclusive grãos
híbridos, como o triticale. A causa exata da doença
celíaca ainda é desconhecida. O desenvolvimento de doença celíaca requer uma
pessoa geneticamente predisposta que esteja comendo trigo, centeio, aveia ou
cevada. Mesmo que estes dois fatores estejam presentes, a doença celíaca pode
não se desenvolver até que um "fator desencadeante" inicie a
resposta anormal do sistema imune. Algumas vezes, uma doença viral parece ser o
"desencadeante". A doença celíaca faz que as vilosidades intestinais
fiquem achatadas e percam a capacidade de absorver nutrientes. Podem ocorrer
perda de peso, anemia e deficiências vitamínicas, em decorrência da má-absorção Depois da exposição
ao glúten, a lesão intestinal pode desenvolver-se em alguns meses ou pode
ficar latente por vários anos. Como não se conhece a
causa exata, não há como prevenir o desenvolvimento da doença celíaca. No
entanto, a conscientização sobre os fatores de risco (como familiar com o distúrbio)
pode aumentar a chance do diagnóstico e tratamento precoces. O diagnóstico é
confirmado por biópsia. A retirada total do glúten da dieta permite à mucosa intestinal cicatrizar e resulta no desaparecimento dos sintomas da doença celíaca. Inicialmente, a irritabilidade desaparece e o apetite melhora, geralmente em questão de dias após a retirada do glúten da dieta. Em uma questão de semanas, reassume-se o ganho de peso e a diarréia diminui. Vários meses mais tarde, retorno do crescimento, à medida que desaparece a distensão abdominal. Testes no sangue eventualmente, também, voltam ao normal. Essas melhoras da saúde global e do aspecto de uma pessoa afetada ocorrem muito tempo antes que haja cura da lesão intestinal. Causa da doença
celíaca Há dois fatores
importantes que contribuem para o desenvolvimento de doença celíaca: Ingestão de
trigo A "afecção celíaca"
foi relatada pela primeira vez por Gee em 1888, conquanto somente em 1950 o
trigo fosse proposto como a causa da doença celíaca. As evidências
basearam-se na observação de um médico holandês chamado Dicke, que observou,
durante a II Guerra Mundial, época em que os grãos de trigo eram escassos na
Holanda e que crianças com a doença celíaca, cujo desenvolvimento em outros
tempos estivera comprometido, melhoraram com uma dieta pobre em trigo. Desde então,
a grande proteína insolúvel em água, o glúten, presente no trigo, foi
identificada como a substância agressora. A extração do glúten com álcool
estreitou ainda mais a atividade a proteínas menores ricas em prolina, chamadas
gliadinas, que são capazes de precipitar a doença em celíacos previamente
assintomáticos. Existem proteínas análogas em outros grãos, como o centeio,
a cevada e as aveias, que também são capazes de exacerbar doença celíaca.
Ainda não foi identificada a seqüência peptídica específica das gliadinas
responsável pelo desencadeamento de inflamação intestinal. O fundo genético dos
indivíduos com doença celíaca corre em famílias. Parentes em primeiro grau
dos indivíduos com doença celíaca podem ou não manifestar sintomas da doença.
A predisposição à hipersensibilidade do glúten foi mapeada na região D de
histocompatibilidade maior (MHC) no cromossomo 6. O haplótipo HLA mais
importante é o DQw2, que muitas vezes está ligado a DR3. Outros haplótipos
HLA importantes identificados são DR7 e DPB 1, 3, 4.1 e 4.2. Não foram
identificados os pontos nessas proteínas expressos na classe 2 MHC responsáveis
pela interação com gliadina e os receptores de linfócitos T do hospedeiro,
assim sensibilizando o intestino ao glúten. Resposta
intestinal à inflamação A principal função do
intestino delgado é absorver nutrientes, líquido e eletrólitos, processo
dependente da área adequada. Com referência a isso, o epitélio de absorção
(vilosidades) do intestino delgado está pregueado na luz intestinal para
aumentar sua área. A inflamação intestinal de qualquer etiologia, se severa o
bastante, associa-se a achatamento do epitélio da vilosidade, o que resulta em
diminuição da área absortiva intestinal. Permanece um mistério
como as células inflamatórias ativadas na lâmina própria abaixo do epitélio
superficial e entremeadas às células epiteliais ocasionam achatamento das
vilosidades. Biópsias do intestino feitas em indivíduos com a doença celíaca
e hipersensibilidade ao glúten mostram um espectro dessas anormalidades da
mucosa. Três padrões distintos têm relevância clínica: – Infiltração do
epitélio das vilosidades por linfócitos e uma arquitetura normal da vilosidade
e da cripta. Esse padrão é encontrado em 40% dos indivíduos com dermatite
herpetiforme e uma parte dos parentes em primeiro grau dos celíacos que não
tenham sintomatologia gastrintestinal. – Mucosa achatada
caracterizada por achatamento das vilosidades e alongamento das criptas com células
inflamatórias na lâmina própria. Esse padrão é classicamente encontrado
em indivíduos com doença celíaca que tenham sintomas gastrintestinais, mas
também tem sido relatado em parentes assintomáticos de celíacos e em indivíduos
com dermatite herpetiforme. É importante ter em mente que biópsias do
intestino são obtidas mais comumente por via endoscópica a partir do duodeno
e, portanto, não fornecem informações quanto à extensão da doença ao longo
do jejuno. Como o duodeno é o primeiro segmento do intestino delgado exposto ao
glúten, o achatamento das vilosidades poderia ser mais severo nessa localização,
enquanto muitas das vilosidades jejunais permaneçam relativamente normais,
contribuindo para um estado assintomático. Na maioria desses indivíduos, o
tratamento com dieta sem glúten resulta no retorno da arquitetura das
vilosidades e das criptas à normalidade ou quase normalidade. – Mucosa hipoplásica caracterizada por achatamento das vilosidades e pequenas criptas. Essa biópsia é encontrada no pequeno grupo de pacientes com suposta doença celíaca severa refratária a uma dieta sem glúten. Esses indivíduos têm saúde comprometida persistentemente devido à má-absorção e algumas vezes requerem suporte nutricional pela via parenteral. Essa lesão intestinal é irreversível.
Diagnóstico e
exames para doença celíaca Biópsias, triagem
sorológica e não-invasiva para doença celíaca Essa é uma discussão
de biópsias, triagem sorológica e outros exames não-invasivos para doença
celíaca. Além da explicação dos procedimentos usados nos testes para DC e
sua monitorização, uma série de perguntas e respostas de vários
especialistas médicos proeminentes dará uma compreensão sobre as etapas médicas.
É importante lembrar que o diagnóstico requer que a pessoa esteja em uma dieta
contendo glúten. Triagem não-invasiva • Laboratórios. Triagem não-invasiva 1. Sorológica a. Os testes no sangue
recentemente desenvolvidos para a detecção e triagem de celíacos e seus
parentes são auxiliares úteis para o diagnóstico e a monitorização. Os
exames têm utilidade clínica em: • Triar populações
de risco para identificar candidatos à biópsia; Há duas classes de
anticorpos vistos na doença celíaca não-tratada. Anticorpos direcionados
contra um fragmento de glúten chamado gliadina e anticorpos direcionados contra
algum tecido no próprio corpo, o endomísio e a reticulina. Há outros tipos de
anticorpos contra os próprios tecidos do corpo. Os exames reais são
feitos usando sangue do paciente. São removidas as células do sangue. O teste
da gliadina geralmente é lido em aparelho automatizado. Conquanto isso
signifique haver pouco espaço para erro do intérprete, não há testes
padronizados, faixas de normalidade ou até mesmo métodos padronizados em uso
nos EUA. Os testes endomisiais são
mais dependentes da experiência e da capacidade de um patologista ao olhar um
padrão de coloração produzido pelo soro de um paciente em um corte de esôfago
de macaco ou de cordão umbilical humano. Conquanto esse exame seja feito de
modo semelhante na maioria dos laboratórios, há diferenças em como interpretá-lo.
Se todos os exames forem positivos, então serão muito precisos, com GT 95%
correto. No entanto, há várias
razões e circunstâncias em que não são precisos. IgA e IgG são duas
variedades diferentes de anticorpos que temos em nosso sistema imune. Os testes
com IgA para gliadina e endomisial são os mais precisos e também negativam de
maneira relativamente rápida depois da interrupção do glúten (3 a 6 meses). A IgA não é tão
específica (pode ser positiva em não-celíacos). No entanto, é importante
fazer ambas, pois cerca de 4% dos celíacos têm níveis suficientemente baixos
de IgA para tornar os testes de IgA imprecisos. Esses testes só podem ser
feitos em paciente que esteja consumindo glúten. A quantidade e o tempo necessários
para um desafio de glúten variam e são fatores de consideração ao marcar o
teste. Resultados negativos não indicam que o paciente jamais desenvolva doença
celíaca, mas apenas que, no momento, não é um fator. A tipagem do HLA pode
ser usada para determinar se uma pessoa tem os fatores genéticos associados à
doença celíaca; sem esses fatores genéticos, é muito improvável o
desenvolvimento de doença celíaca. Inútil dizer que é complicada a
interpretação de resultados mistos (alguns positivos e alguns negativos). Também
pode ser diferente a interpretação e o uso desses testes em crianças devido
aos níveis mais baixos de IgA. Anticorpos IgG e IgA
contra gliadina O IgG AGA é altamente
sensível, mas não tão específico quanto o IgA AGA. Podem aparecer evidências
histológicas de resposta da mucosa de dois meses a dois anos ou mais depois da
reintrodução de glúten; entretanto, os níveis de IgA AGA aumentam
rapidamente em resposta à presença de glúten na dieta e diminuem rapidamente
quando o glúten está ausente da dieta. Os níveis de IgG AGA não respondem tão
rapidamente. Anticorpos IgA
contra reticulina (ARA) O IgA ARA (tipo R1) é
altamente específica para DC não-tratada. A presença de IgA ARA se
correlaciona com mucosa achatada; os anticorpos tipicamente desaparecem à
medida que a mucosa se recupera. Anticorpos
endomisiais IgA (EMA) A combinação de IgA
AGA e IgA EMA proporciona aumento da sensibilidade e 100% de especificidade na
triagem de pacientes com DC ativa não-tratada. As sensibilidades e especificidades do anticorpo antigliadina IgA e IgA e do anticorpo IgA anti-reticulina foram comparadas com o anticorpo endomisial recentemente descrito dirigido contra a membrana basal do músculo liso no esôfago do macaco ou no cordão umbilical humano. Foram encontrados anticorpos endomisiais em todos os pacientes com DC não-tratada e atrofia subtotal das vilosidades e em 47% dos pacientes em dieta não-estrita e livre de glúten. Em um paciente em dieta estrita sem glúten foi positivo e tinha atrofia vilosa parcial, enquanto todos os pacientes em grupos-controle da doença eram negativos. Os resultados foram variáveis com os anticorpos anti-reticulina e antigliadina. A sensibilidade e a correlação com atrofia vilosa subtotal no paciente não-tratado foram de 100%. Conclui-se que o anticorpo endomisial seja superior a outros testes atuais para anticorpos e deva ser usado preferencialmente para o diagnóstico de DC. O teste no sangue é o único instrumento de triagem. A biópsia permanece o "padrão-ouro".
Exames
invasivos 1. O padrão para
identificação de DC era uma série de duas biópsias, mas muitos clínicos
agora recomendam apenas uma, se a resposta clínica a uma dieta sem glúten for
suficiente e a repetição do teste endomisial for negativa. O primeiro procedimento
é verificar as características patológicas típicas do intestino. A segunda biópsia
mostra o começo do novo crescimento das vilosidades depois de vários meses de
dieta sem glúten. O ponto de vista geral é que leve, pelo menos, um ano para
obter a relação vilosidades/criptas apropriada (3-4:1), especialmente em
adultos que tinham atrofia total das vilosidades. Era previamente
realizada uma terceira biópsia depois de um desafio com glúten. Essa biópsia
é controversa atualmente, e a maioria dos médicos não a pede, exceto em casos
nos quais os sintomas clínicos não tenham desaparecido ou em que haja algum
problema incomum. É crítico que o médico
e os patologistas se comuniquem com relação à doença celíaca. Foi elaborada
uma nova variação do exame, que pode provar ser mais simples, mais segura e
mais confiável. Esse teste envolve desafiar o paciente com uma dose retal de glúten,
e não uma dose oral. 2. Biópsia retal é um
exame que tem mostrado alguns resultados interessantes em testes na Grã-Bretanha,
mas, em geral, não são aceitos atualmente. Uma biópsia retal é
muito mais fácil de fazer que uma biópsia jejunal; é, então, examinada para
se ter o diagnóstico. O teste foi avaliado em 11 pacientes que se pensava ter
DC e em 21 pacientes com outros tipos de distúrbios intestinais. Seis horas
depois do exame retal com digesto de glúten, fazia-se uma biópsia retal,
contando-se os linfócitos no interior do tecido epitelial. Aumento de 10% ou
mais era tomado como indicativo de DC. Entre os pacientes testados, o
procedimento produziu um falso-positivo e um falso-negativo. O resultado
demonstrou que o exame retal é efetivo; também é mais rápido que o teste
oral tradicional. Ademais, o teste é preferido por alguns pacientes, que podem
recusar-se a um teste oral, que deve ser seguido por uma biópsia jejunal. A suscetibilidade do
paciente ao desenvolvimento de DC depende de vários fatores. Um fator é a
quantidade de ingesta de glúten. Outro é a composição genética do indivíduo. No entanto, sentimos
que várias semanas de ingesta de glúten, especialmente em doses de 2 g de glúten/dia,
devam resultar em sorologia positiva em pacientes com DC. O resultado dos testes
sorológicos depende da dieta. Em geral, três a seis meses de dieta sem glúten
podem resultar em níveis normais de anticorpos em um novo paciente. Dieta sem
glúten restrita, por mais de três meses, pode resultar em testes sorológicos
inconclusivos nos pacientes que iniciaram uma dieta sem qualquer exame diagnóstico. Cada paciente tem
sensibilidade diferente ao glúten por razões obscuras. O período de desafio
pelo glúten e a quantidade de glúten necessária para provocar resposta imune
sorológica são individualmente diferentes. Um desafio de 0,3 g/kg de peso
corporal/dia de glúten simples causa alterações imunológicas (imunidade
celular) no intestino dos pacientes em dieta sem glúten, mas a resposta sorológica
é muito mais lenta. O conteúdo protéico
da farinha de trigo fica entre 7% e 15%, e aproximadamente 90% do conteúdo protéico
é glúten. Isso significa que uma fatia de pão pode ter 2 g a 3 g de glúten. Os três exames sorológicos
usados para diagnosticar DC são: • Anticorpo
antiendomisial (EMA); Cada um desses três
testes proporciona um certo grau de confiabilidade para diagnosticar DC. Destes,
o anticorpo endomisial é o mais específico. A tabela a seguir foi retirada de
nossos estudos (Lerner, Kumar, Iancu, Immunological diagnosis of childhood
coeliac disease: comparison between antigliadin, antireticulin and
antiendomysial antibodies). Sensibilidade/
Especificidade/ Valor preditivo EMA 97 98 97 98 ARA 65 100 100 72 AGA IgG88 88 92 88 92 IgA 52 94 87 74 O
resumo abaixo mostra os resultados dos principais exames sorológicos baseados
em várias publicações, incluindo 388 pacientes com DC e 771 participantes hígidos. Sensibilidade
– a proporção
de indivíduos com a doença que tem teste positivo. Indica quanto um teste é
bom para identificar os doentes. IgG
AGA média: 78% variação: 46% a 100% Especificidade
– a proporção
de indivíduos sem a doença que tem teste negativo. Indica quanto um teste é
bom para identificar os não-doentes. IgA
AGA média: 92% variação: 84% a 100% Valor
preditivo positivo –
probabilidade que uma pessoa com resultados positivos realmente tenha a doença. IgA
AGA média: 72% variação: 45% a 100% Valor
preditivo negativo –
probabilidade que uma pessoa com resultados negativos não tenha a doença. IgA
AGA média: 94% variação: 89% a 100% Se
os exames forem realizados usando testes bem padronizados com valores preditivos
positivo e negativo conhecidos, pode-se, então, fazer a afirmação de que, se
os testes sorológicos forem negativos, se pode virtualmente descartar DC. O
problema é que alguns desses ensaios, especialmente com a gliadina, podem dar
resultados falsos-positivos. Em nosso laboratório, raramente vemos resultados
AGA positivos na ausência de anticorpos EMA e ARA. Não
é verdade que os métodos sorológicos têm valor preditivo mais baixo em crianças
com menos de dois anos de idade. Em todos os estudos, houve uma correlação de
100% do EMA com a atividade da doença, independentemente da idade. Há
alterações dependentes da idade em vários parâmetros sangüíneos durante a
infância. Sabe-se
bem que os níveis de imunoglobulinas dependem da idade das crianças. Por
exemplo, as imunoglobulinas classe IgA alcançam o nível do adulto somente aos
16 anos de idade, e o nível sangüíneo de imunoglobulinas IgA é apenas 1/5 do
valor do adulto abaixo de dois anos de idade. Um grande estudo da Europa mostrou
que o teste do anticorpo contra-endomísio é menos específico e sensível em
crianças abaixo de dois anos de idade. Eles verificaram que a sensibilidade do
teste EmA diminuía de 98% para 88% em crianças com menos de dois anos de
idade. Significa que 12% de seus pacientes com doença celíaca, que tinham
menos de dois anos de idade, não tiveram aumento dos níveis de anticorpo
contra-endomísio. É
importante que os testes sangüíneos estejam negativos em pacientes com DC.
Esses testes proporcionam fortes indicadores de que a dieta sem glúten seguida
seja eficiente e livre de glúten. Algumas vezes, drogas ou outras ingestas
podem estar contaminadas com glúten, que pode continuar a sensibilização e o
processo patológico, podendo estar subclínico. Uma vez confirmado o diagnóstico
de DC e o paciente esteja em dieta sem glúten, é suficiente repetir os testes
uma vez em 3 a 6 meses. Se
um paciente tiver doença celíaca comprovada por histologia ou sorologia
(testes de anticorpos) e seus sintomas desaparecerem com dieta sem glúten, não
será necessário repetir a biópsia. Os exames sorológicos são úteis para a
estimativa da eficiência da dieta depois de 3 a 6 meses sem glúten. O
desaparecimento dos anticorpos do sangue leva meses, se não houver qualquer
estimulação acidental com glúten (erro dietético). Os
testes sorológicos são realizados no momento do diagnóstico de doença celíaca
e repetidos mais tarde para a estimativa da eficácia da dieta sem glúten. Recomenda-se
realizar um painel de testes sorológicos completo em pacientes com suspeita de
doença celíaca. Esses testes dosam anticorpos pertencentes às classes IgA e
IgG de imunoglobulinas. A incidência de deficiência seletiva de IgA é muito
mais alta em pacientes celíacos que na população geral. Nos pacientes com
deficiência seletiva de IgA, pode estar presente somente o anticorpo IgG
antigliadina, em indivíduos normais no restante. Se
alguém tiver um teste do anticorpo endomisial positivo no momento do diagnóstico,
poderá usar somente esse teste de anticorpo para monitorar o efeito da dieta. Há
diferenças individuais no desaparecimento dos anticorpos do soro. Para
o teste dar resultados significativos, deverá ser validado com o uso de um
grande número de participantes clínicos documentados. Ademais, os dois testes,
endomisial e reticulina, são de imunofluorescência, cujas leituras são
subjetivas. É necessário pessoal de laboratório experiente para ler tais
testes. Se
o teste for negativo e houver forte suspeita de DC, deverá ser repetido depois
de algumas semanas (3 a 4 semanas), especialmente depois de alta ingesta de glúten. Fizemos
um estudo de dois casos com DH que eram sorologicamente negativos. No entanto,
um desafio com glúten, 1 g/kg de peso corporal/dia, resultou em sorologia
positiva; os resultados normalizaram em uma dieta sem glúten. Se
você for parente de um paciente com DC e estiver em dieta regular e a sorologia
realizada por laboratório especializado for negativa, então pode não haver
necessidade de novo teste até e a menos que clinicamente justificado. Não
há regra para isso. Se um familiar com exames negativos prévios experimentar
qualquer sintoma gastrintestinal associado à DC, deverá ser submetido a exame
sorológico assim que possível. Sabe-se bem que até 15% dos familiares de um
paciente com doença celíaca podem ter a forma assintomática (latente ou
silenciosa) da doença celíaca, embora tenham testes sorológicos positivos e
alterações patológicas na parte superior do intestino delgado. Também fica
evidente que há pelo menos três etapas de desenvolvimento das lesões de
mucosa e a doença celíaca pode manifestar-se em cada período da vida.
Recomenda-se repetir o teste a cada 2 a 3 anos em parentes em primeiro grau de
pacientes celíacos. A biópsia pode ser inconclusiva. O soro, se testado para
anticorpos contra gliadina, endomísio e reticulina, deve fornecer informações
inequívocas. A
biópsia pode ser inconclusiva em pequena porcentagem de pacientes com as
chamadas lesões focais no duodeno. Significa que há pontos com aparência
histologicamente normal com vilosidades digitiformes e pontos patológicos,
mostrando mucosa achatada na metade superior do duodeno. Se houver suspeita de
DC, o gastroenterologista deve pedir várias biópsias de diferentes pontos do
duodeno inteiro. A maioria dos endoscopistas examina, de rotina, apenas a metade
superior do duodeno (bulbo duodenal e parte descendente). O segmento transverso
do duodeno não é visualizado de rotina. A enteroscopia permite que se façam
biópsias até mesmo do jejuno. O exame histológico de uma única biópsia pode
aumentar o risco de diagnóstico falso-negativo. É
importante a experiência do patologista na interpretação da histologia do
intestino delgado. Há
ainda uma possibilidade de resultados inconclusivos se forem obtidas múltiplas
biópsias e a interpretação histológica for adequada. Toda a doença tem um
processo de desenvolvimento. Significa que leva tempo para ficarem evidentes as
alterações patológicas. Há casos em que os sintomas sugerem DC, e a
histologia não é conclusiva. Esse problema ocorre em apenas alguns casos. Pode
ser necessário repetir a biópsia depois de um período de ingesta mais alta de
glúten. No entanto, se o teste do anticorpo antiendomísio for positivo e a
histologia não for conclusiva, recomenda-se dieta sem glúten. O
exame sorológico pode ser inconclusivo se a manipulação e transporte do
material forem inadequados; por exemplo, se o soro for transportado em
temperatura ambiente, por dias, o paciente terá deficiência de IgA, o que
ocorre em cerca de uma a cada 600 pessoas na população geral e muito mais freqüentemente
em pacientes com DC. Nesses casos, a IgA antigliadina e a IgA antiendomísio darão
resultados negativos. Se os testes forem realizados em um laboratório
especializado em testes sorológicos para doença celíaca, o laboratório
recomendará um teste para imunoglobulinas. Se o paciente tiver deficiência de
IgA e IgG antigliadina positiva, deverá ser submetido a mais testes absortivos
e/ou à biópsia de intestino Limitações no
diagnóstico de doença celíaca Os pacientes com doença
celíaca têm ampla variedade de manifestações, de sintomas clássicos aos
casos assintomáticos. A sensibilidade
individual ao glúten é muito variável, por razões obscuras. O período de
estimulação com glúten resultando em lesão da mucosa e a quantidade necessária
para provocar resposta imune sorológica/alterações histológicas são
individualmente diferentes. Não há explicação
simples para essas observações: – Uma possibilidade
é que os pacientes tenham a combinação de diferentes "genes celíacos". – A segunda explicação
possível é a diferença na adaptação do intestino delgado. Adaptação
significa que, quando uma parte maior ou menor do intestino é removida, lesada
cronicamente ou não funciona, os segmentos restantes são capazes de compensar
a diminuição da superfície absortiva. Esse processo de adaptação é
regulado por muitos fatores diferentes, que incluem diferentes fatores tróficos;
hormônios e a composição da dieta também são importantes. Para ilustrar a
complexidade do problema, há muitos hormônios intestinais locais diferentes e
outros hormônios conhecidos (insulina, hormônios da tireóide, hormônios
esteróides) influenciando a função e a regeneração do intestino. Certos
componentes da dieta, como a glutamina ou as fibras também têm efeito benéfico
sobre esse processo. – Há diferenças na
resposta imune local ao glúten e a outros antígenos, toxinas e patógenos. A
função primária do sistema imune intestinal é nos proteger de antígenos
alimentares e bacterianos. Se essa defesa não estiver funcionando bem, poderá
resultar em uma resposta anormal e ainda maior lesão. Alternativamente, se
funcionar bem, protegerá de fatores evidentes de lesão.
O diagnóstico de
doença celíaca
não é simplesmente determinado por uma biópsia, mas se baseia em uma combinação
de sintomas clínicos: • Testes sorológicos
(e outros testes imunológicos); • Biópsia do
intestino (histologia); • Resposta a uma doença
sem glúten. Se alguém tiver
sintomas sugestivos de doença celíaca, mas a sorologia não for conclusiva e
outras doenças resultando em sintomas semelhantes forem excluídas, deveremos
realizar uma biópsia intestinal. Se a biópsia for positiva e o paciente tiver
resposta favorável à retirada do glúten, o diagnóstico de DC é considerado
comprovado. Se sintomas e sorologia forem sugestivos de doença celíaca, mas a
histologia não for confirmativa, deverá ser iniciada uma experiência com
dieta sem glúten. Se não houver
sintomas, mas a sorologia for positiva (freqüentemente acontece durante estudos
de triagem), deverá ser realizada uma biópsia intestinal. Casos típicos são
os familiares assintomáticos. Se a sorologia positivar durante um teste de
triagem, mas a biópsia não for conclusiva, há duas opções. Primeiro,
realizar cultura de tecido e estudos imuno-histoquímicos sofisticados no
material de biópsia para provar a sensibilidade ao glúten. Alternativamente,
pode-se considerar uma experiência com dieta sem glúten e acompanhar as alterações
nos títulos da sorologia. Podemos ter pacientes
com sintomas sugestivos de doença celíaca que não tenham sorologia positiva e
a histologia não seja absolutamente confirmativa, mas devem ser descartadas
outras causas possíveis. Nesses casos, pode ser iniciada uma experiência com
dieta sem glúten. Há publicações em que adolescentes submetidos à
endoscopia GI alta tinham mucosa intestinal achatada e responderam bem à dieta.
Não foram relatados estudos sorológicos. Tinham, de fato, dor gástrica
recorrente, que era a principal indicação para a endoscopia. A atrofia intestinal
foi um achado "acidental". Esse é um "período silencioso"
de doença celíaca. Os pacientes com deficiência
seletiva de IgA não são capazes de produzir anticorpos IgA antigliadina e IgA
antiendomísio. Entre os pacientes pediátricos, 1 em 13 pacientes com DC tinham
deficiência seletiva de IgA (7,69%). Podem ocorrer resultados falsos-negativos
nesses pacientes. Foi claramente mostrado, em grande estudo europeu, que o teste do anticorpo antiendomísio (EMA) é menos específico e sensível em crianças abaixo de dois anos de idade. Eles verificaram que a sensibilidade do teste EMA diminuiu de 98% para 88% em crianças com menos de dois anos de idade. Significa que 12% de seus pacientes com doença celíaca que tinham menos de dois anos de idade, mas não eram seletivamente deficientes em IgA, não tinham aumento de seus níveis de anticorpo antiendomísio. Dessa forma, esse grupo também traz mais risco de resultados falsos-negativos. Valor da biópsia
intestinal A biópsia intestinal
é parte importante do diagnóstico. No entanto, o exame histológico de rotina
jamais foi considerado específico em si mesmo para doença celíaca. Há testes
sofisticados, porém não usados de rotina, para tecidos de biópsia, os quais
podem ser considerados mais específicos que o teste histológico simples. Essas
são análises morfométricas computadorizadas e testes imunológicos
especializados em material de biópsia na presença de gliadina. Podem ser
feitos em casos nos quais haja alguma dúvida referente ao diagnóstico. Ainda há uma
possibilidade de resultados inconclusivos, se forem feitas múltiplas biópsias
e a interpretação histológica for apropriada. Toda a doença tem um processo
de desenvolvimento. Significa que leva tempo para ficarem evidentes as alterações
patológicas. Há casos em que os sintomas sugerem DC e a histologia não é
conclusiva Testes para
diagnóstico de doença celíaca e dermatite herpetiforme O padrão para
identificação da DC é uma série de três biópsias. A primeira é para
verificar as características patológicas típicas do intestino. A segunda biópsia
mostra o novo crescimento das vilosidades depois de vários meses de dieta sem
glúten. Há uma doença que dá um resultado de biópsia semelhante e pode ser
eliminada apenas pela biópsia depois da melhora com a dieta sem glúten. A terceira biópsia é
realizada depois de um desafio com glúten. Essa biópsia ainda é controversa e
alguns médicos não a solicitam. É crítico que o médico e os patologistas se
comuniquem com relação à doença celíaca. Foi elaborada uma nova
variação do exame, que pode provar ser mais simples, mais segura e mais confiável.
Esse teste envolve desafiar o paciente com uma dose retal de glúten, e não uma
dose oral. Uma biópsia retal, muito mais fácil fazer que uma biópsia jejunal,
é então examinada para se ter o diagnóstico. O teste foi avaliado em 11
pacientes que se pensava ter DC e em 21 pacientes com outros tipos de distúrbios
intestinais. Seis horas depois do desafio retal com digesto de glúten, fazia-se
uma biópsia retal, contando-se os linfócitos no interior do tecido epitelial.
Aumento de 10% ou mais era tomado como indicativo de DC. Entre os pacientes
testados, o procedimento produziu um falso-positivo e um falso-negativo. O
resultado demonstrou que o desafio retal é efetivo; também é mais rápido que
o teste oral tradicional. Ademais, o teste é preferido por alguns pacientes,
que podem recusar-se a um teste oral, que deve ser seguido por uma biópsia
jejunal. As pesquisas produziram
três testes de triagem simples e não-invasivos para a detecção e a tentativa
de diagnóstico de DC. Os testes mostram alterações de anticorpos encontradas
no sangue. Os conceitos dos testes são: • Na fase ativa da
doença, a IgA do soro aumenta acentuadamente, enquanto a IgM permanece estável;
• A IgG diminui
provavelmente por causa da enteropatia perdedora de proteína. Essas variações se
revertem ao normal em alguns meses após início de dieta sem glúten,
paralelamente às lesões da mucosa. Simultaneamente, os anticorpos dirigidos
contra numerosos antígenos alimentares, em particular contra proteínas de
outros cereais, do leite e do ovo, podem ser demonstrados na circulação com
freqüências e títulos maiores que em crianças hígidas. Apenas métodos mais
recentes de detecção [imunofluorescência indireta, imunoensaio ligado a
enzimas (Elisa), antígeno de maior pureza e caracterização de anticorpos
contra seus isótipos] permitiram o uso extensivo de anticorpos antigliadina
como teste de triagem não-invasivo sensível. Dessa forma, em crianças de
pouca idade com DC ativa, são encontrados anticorpos IgG antigliadina em 90% a
100% de casos, enquanto a sensibilidade dos anticorpos IgA é um tanto mais
baixa (60% a 100%). Ao contrário, os anticorpos IgA antigliadina são mais
específicos (86% a 100%) que os anticorpos IgG (60% a 95%). Os títulos e a
sensibilidade global dos anticorpos IgA e IgG antigliadina tendem a diminuir com
a idade para 50% a 60% em crianças com mais de três anos de idade ou
adolescentes. O recente
desenvolvimento de testes no sangue para a detecção e triagem de celíacos e
seus parentes tem produzido auxílio útil para o diagnóstico e a monitorização.
Os testes têm utilidade clínica em: • Triagem de populações
de alto risco para identificar candidatos à biópsia. A combinação de IgA
ARA e IgA EMA proporciona aumento da sensibilidade e 100% de especificidade na
triagem de pacientes com ESG. As sensibilidades e
especificidades dos anticorpos IgA e IgA antigliadina e do anticorpo IgA
anti-reticulina foram comparadas ao anticorpo endomisial recentemente descrito e
dirigido contra a membrana basal do músculo liso em esôfago de macaco. Foram encontrados
anticorpos endomisiais em todos os pacientes com DC não-tratada e atrofia
subtotal das vilosidades e em 47% dos pacientes em dieta não-estrita e livre de
glúten. Em um paciente em dieta sem glúten estrita foi positivo e tinha
atrofia vilosa parcial, enquanto todos os pacientes em grupos-controle da doença
eram negativos. Os resultados foram variáveis com os anticorpos anti-reticulina
e antigliadina. A sensibilidade e a correlação com atrofia vilosa subtotal no
paciente não-tratado foram de 100%. Conclui-se que o anticorpo endomisial seja
superior a outros testes atuais para anticorpos e deva ser usado
preferencialmente para o diagnóstico de DC. O teste no sangue é o único
instrumento de triagem. A biópsia permanece o gold
standard. Os testes sorológicos
têm sido úteis na identificação de pacientes, em potencial, com doença celíaca. Esses testes não são universalmente confiáveis e são sujeitos a erros ocasionais. Ocorrem falsos-positivos e falsos-negativos com todos os testes. Os estudos que foram feitos aconteceram em laboratórios de pesquisa em amostras de soro guardadas e corridas juntamente. A sua qualidade, quando feitos em laboratórios comerciais, em base contínua, será a prova de quanto vão ser bons na prática clínica. Nos EUA, não há versão padronizada ou metodologia sobre como esses testes devam ser feitos. Os testes do EMA são muito dependentes de quem interpreta, pois requerem que um imunopatologista procure padrão particular de coloração, que pode ser difícil de encontrar ocasionalmente. Isso é feito em uma sala escura, olhando múltiplas amostras em um microscópio. A associação pediátrica européia Gastro and Nutrition modificou seus critérios para solicitar apenas uma biópsia na maioria dos casos enquanto o paciente tiver boa resposta clínica à dieta. Todas as decisões precisam ser individualizadas para as necessidades e circunstâncias dos pacientes e essas observações não representam recomendações médicas. Tratamento da
doença celíaca Diferentemente das doenças
auto-imunes em que o antígeno precipitante não é identificado ou, se
identificado, não pode ser removido, o antígeno precipitante da doença celíaca,
ou seja, o glúten, pode ser removido da dieta. Isso soa mais fácil que é
feito, pois o trigo é usado como preenchimento e espessante em numerosos
alimentos comprados em lojas e preparados em restaurantes. Evitar o glúten na
dieta requer procura cuidadosa nos rótulos dos alimentos da presença de trigo
e outros grãos como centeio, aveia e cevada. Produtos rotulados "não contém
trigo" não são necessariamente livres de glúten. Itens alimentares
comuns que não podem ser comidos incluem pães de maneira geral, massas e
pizza. Há empresas nos Estados Unidos que produzem produtos sem glúten feitos
predominantemente de farinha de arroz. A maioria dos pacientes tratados com
dieta sem glúten observa diminuição dos sintomas em duas semanas, e não é
necessária biópsia intestinal de acompanhamento. Pequeno grupo de pacientes
tem resposta parcial ou ausente a uma dieta sem glúten. Uma causa importante de
má resposta à dieta é a continuação da ingestão de glúten em alimentos
que se pensa serem livres de glúten ou informações incorretas sobre a dieta.
Nessa situação, pode ser útil fazer testes de anticorpo enquanto tais
pacientes estão em uma dieta "rígida" sem glúten. Foi desenvolvido
um kit que utiliza o ensaio Elisa para testar produtos alimentares quanto à
presença do antígeno do glúten. Em indivíduos que tenham resposta insatisfatória
a uma dieta sem glúten, é obrigatório repetir a biópsia intestinal depois de
três meses de tratamento, para se assegurar que não tenham passado
despercebidas outras lesões intestinais, como infecção ou linfoma intestinal. Nos pacientes sintomáticos,
a resposta óbvia é o alívio dos sintomas debilitantes. E quanto aos indivíduos
que tenham sintomas mínimos ou que sejam assintomáticos? Há duas razões para
tratar tais indivíduos com uma dieta sem glúten: 1) um subgrupo desses
pacientes evoluirá para doença mais severa e, assim, desenvolver sintomas e 2)
há aumento da incidência de pequenos linfomas e adenocarcinomas intestinais em
indivíduos com doença celíaca. O aumento da incidência de câncer parece
correlacionar-se com o grau de inflamação intestinal (atividade) presente, já
que indivíduos cuja doença respondeu a uma dieta sem glúten e que
permaneceram fiéis à dieta tiveram incidência mais baixa de tais cânceres. Não se sabe se os
indivíduos que demonstram ter anticorpos específicos elevados para doença celíaca,
mas permanecem assintomáticos, e têm biópsias intestinais normais, devam ser
tratados com uma deita sem glúten. Dietas sem glúten
e sem trigo É essencial a dieta
sem glúten ou sem trigo para a saúde a muitas pessoas. Não é uma dieta que
possa ser abandonada ou esquecida por um algum tempo. O que se pode comer em
uma dieta sem glúten ou sem trigo: • todos os óleos e
gorduras; Mas observe que os
derivados de soja e de trigo-sarraceno costumam não ser digeríveis para
pessoas em dietas sem trigo. Lista negra;
ingredientes a evitar: • Trigo: grão
contendo altos níveis de glúten; Cuidados • Algumas marcas de
"papel de palha de arroz" são feitas usando farinha de trigo. Apoio:
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