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Doença
Celíaca e Manifestações Reumáticas
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Doença
celíaca ou enteropatia sensível ao glúten pode ser divida em
três formas clínicas, uma na qual diarréia predomina,
geralmente esteatorréia (eliminação de fezes gordurosas), uma
segunda forma na qual queixas tipo fadiga e perda de perda são os
sintomas mais comuns e uma terceira forma clínica que pode se
manifestar por outras queixas variadas tais como as decorrentes
das alterações ósseas.
Sabe-se que os sintomas intestinais da doença celíaca podem
estar ausentes em até 50% dos pacientes. Sabe-se também que
ocorre associação com outras doenças, tais como dermatite
herpertiforme, diabetes mellitus e doenças auto-imunes.
Doença celíaca está ligada a alguns genes, e, assim a
incidência em gêmeos idênticos é de 70%, confirmando a
predisposição genética da doença.
Artrite é uma complicação reconhecida da doença, podendo
ocorrer nas crianças e nos adultos. Em um estudo a artrite
ocorreu em 52 de 200 indivíduos adultos portadores da doença
celíaca. O tipo mais comum de artrite nos adultos é uma artrite
de menos de quatro articulações acometidas simetria e
recorrente, acompanhada de rigidez matinal e aumento de volume das
articulações. A artrite comumente não é destrutiva, ou seja,
não deforma as articulações acometidas e não dá grandes
alterações no exame de Raio-X. O acometimento da coluna lombar
pode ocorrer, em particular na região das articulações
sacro-ilíacas na região posterior da bacia. Geralmente ocorre
uma melhora clínica dos sintomas articulares com a dieta sem
glúten. A causa da artrite nos pacientes com doença celíaca
não está totalmente esclarecida.
Outra manifestação importante da doença celíaca é a perda de
massa óssea levando a osteopenia ou osteoporose. Assim, pacientes
com osteoporose em faixa etária jovem ou aqueles com osteoporose
que não respondem de forma adequada ao tratamento devem ser
investigado para a presença de doença celíaca. A doença
celíaca leva a osteoporose por má absorção de cálcio, com
conseqüente hiperparatireoidismo secundário. A osteoporose
quando não reconhecida e tratada, também no paciente com doença
celíaca, pode levar a fraturas ósseas. O reconhecimento da
presença da osteoporose ou das queixas articulares nos pacientes
com doença celíaca deve ser assim, uma parte importante no
cuidado do pacientes celíaco, orientando este a ingerir cálcio
adequado, exposição solar adequada, atividade física regular,
e, principalmente, dieta sem glúten, a qual trata a causa da
doença.
DR. IVÂNIO ALVES PEREIRA
Reumatologista do Hospital Universitário da Universidade Federal
de Santa Catarina – UFSC. |
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