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OSTEOPOROSE
Fantasma
predileto de quem defende a adição de hormônios na menopausa,
a osteoporose tem sido enquadrada como doença – mas não é.
Faz parte do envelhecimento. É uma condição, um estado dos
ossos, que com a idade avançada podem ir descalcificando e se
tornar porosos, frágeis e quebradiços, especialmente na coluna
vertebral, nas costelas e na bacia. Afeta 25% das mulheres
ocidentais com mais de 60 anos e apenas 8% dos homens.
Nosso esqueleto está sempre
sendo remodelado pela perda de 300 a 700 mg de cálcio por dia.
Repor esse cálcio através da alimentação ou de suplementos
é fácil, fazer os ossos assimilarem é que são elas. A
assimilação depende de vários fatores, entre eles sol,
vitamina D, exercícios, fósforo, magnésio e estrogênio. Por
isso a situação da mulher cuja massa óssea já não é muito
densa pode se tornar problemática após a menopausa, já que
haverá muito menos estrogênio em circulação. Mas atribuir a
osteoporose exclusivamente à falta de estrogênio é muito
simplismo. Estudo recente envolvendo uma série de amostras de
densidade óssea de mulheres de 20 a 88 anos mostrou que 50% da
massa óssea são perdidos antes da menopausa.
E por que
se perde cálcio?
Por miríades de razões da
vidinha cotidiana: ansiedade, depressão, stress, falta de exercício,
diarréia, disfunção na tireóide, excessos de proteína,
gordura, sal, açúcar, fibras suplementares e ácido oxálico
na comida, deficiência de ácido hidroclorídrico, ingestão
habitual de álcool e cafeína, uso de antiácidos,
tetraciclina, heparina, laxativos, diuréticos,
anticonvulsivantes, aspirina e cortisona. O consumo de
refrigerantes, carnes conservadas, queijos fortes, molhos
industrializados, pães e massas de farinha branca também
atrapalha, já que nos faz absorver muito fósforo, mineral que
inibe a absorção do cálcio se estiver em maior proporção. A
lactose (açúcar lácteo) tem um papel decisivo na assimilação
do cálcio do leite. Pessoas alérgicas ou cujo organismo não
digere a lactose aproveitarão pouco cálcio, ainda que seu
consumo de leite e laticínios seja grande.
Na osteoporose, tudo depende de
duas coisas: a densidade óssea inicial e a velocidade com que
se vai perdendo o cálcio. Ambas podem ser modificadas pelo
estilo de vida. Na verdade, uma mulher com alto risco de
osteoporose faria bem em adotar uma alimentação mais
vegetariana: perderia muito menos cálcio. É o caso das
mulheres orientais, cuja taxa de osteoporose é baixíssima
apesar do pequeno consumo de cálcio. Mas quando passam a comer
uma dieta americanizada, muito rica em proteína, sua eliminação
de cálcio pela urina aumenta, porque o organismo gasta muito cálcio
para processar a proteína. E isso não tem nada a ver com redução
de estrogênio.
Ébano
& marfim
Mulheres negras têm uma
densidade óssea inicial 25 a 30% maior que as brancas, ou seja,
não precisam se preocupar tanto. A candidata mais forte à
osteoporose é a mulher branca que tem ossos pequenos, fuma,
bebe álcool ou descende de europeus do norte, especialmente se
alguma mulher da família teve osteoporose. Se você quer saber
a quantas andam seus ossinhos, procure fazer uma densitometria
óssea. Isso se vê através de uma radiografia simples e com
dose de radiação mais baixa que uma radiografia dentária. Nos
Estados Unidos qualquer dentista presta este serviço à sua saúde;
aqui, por enquanto, você ainda tem que ir atrás de clínicas
ortopédicas e serviços especiais. Alô, amigas dentistas, há
possibilidade de dar atenção a isso?
O MAPA DA
MINA
Mexa-se
Atividade física é a chave para
conservar a densidade óssea. Pessoas de 50, 60 e 70 anos que se
exercitam têm 30% mais densidade óssea que as sedentárias. Se
você não usa, os ossos se atrofiam. Mas devem ser exercícios
que estimulem o alongamento dos músculos, como andar, correr,
dançar, andar de bicicleta.
Nadar não conta, porque a água
não oferece resistência que os músculos e ossos possam
enfrentar.
Tome sol
para garantir a vitamina D
Ela é sintetizada na pele quando
tomamos sol e possibilita a absorção de cálcio nos
intestinos. Meia hora de exposição por dia, com o mínimo de
roupa ou sem ela, é suficiente para as pessoas de pele clarinha;
as mais morenas precisam duas ou três vezes mais tempo. Gema de
ovo e fígado de galinha são boas fontes de vitamina D. Cuidado
com os suplementos, que podem ser tóxicos, especialmente acima
de 25 mg por dia. Muito melhor tomar sol neste vastíssimo país
tropical...
Cuide de
suas glândulas
Tireóide, adrenais, ovários e pâncreas
funcionando bem: este equilíbrio é essencial para o seu balanço
de cálcio.
Não fume
Entre mulheres de condições
semelhantes, as que fumam têm menos densidade óssea que as não
fumantes. Como a ansiedade está ligada a um gasto maior de cálcio,
e também ao hábito de fumar, pode ser que você mate três
coelhos de uma cajadada só – livrando-se da ansiedade, do
cigarro e da osteoporose.
Cuidado
com o excesso de proteína
A dieta muito proteica aumenta a
perda de cálcio pela urina, especialmente se for proteína
animal, que tem maior volume de certos ácidos cujo efeito é
retirar cálcio dos ossos. No interior do Japão, velhinhas que
nunca consumiram mais de
300 mg diários de cálcio têm muito menos osteoporose que as
norte-americanas, que consomem 800 mg de cálcio por dia. Mas as
japonesas comem apenas 30 g de proteína por dia, enquanto as
americanas comem 80 g ou mais.
Varie as
fontes de cálcio
Não precisa depender do leite:
agrião, folhas de batata-doce, caruru/bredo, melado, espinafre,
folhas de nabo, couve-chinesa, todos eles são boas fontes de cálcio
se você comer em porções generosas. Se quiser garantir mais
ainda a presença de cálcio na comida, use o pó da casca de
ovo – seque ao sol, ou torre no forno; bata no liquidificador
ou moa no pilão até obter um pó fininho; guarde num vidro.
Use uma colherinha de café por dia, na sopa, no feijão ou no
mingau, deixando antes de molho num pouquinho de vinagre ou limão
para desmanchar a estrutura microscópica que prende o cálcio.
Uma casca de ovo contém 2.400 mg de cálcio, um copo de leite
290 mg, uma xícara de agrião cozido 300 mg.
Evite
refrigerantes
O nível de fósforo no organismo
tem que ser um pouco menor que o de cálcio para haver uma boa
absorção. Os refrigerantes usam muito fósforo em suas fórmulas
– em cada copo de coca-cola há 116 mg – e uma pessoa que
toma refrigerantes regularmente acaba se expondo aos riscos de
perda óssea e hiperparatireoidismo.
Controle
sal, açúcar e fibras
O alto consumo de sal faz perder
cálcio na urina, o consumo de açúcar também – só que, no
caso do açúcar, a ação é indireta: ele provoca a eliminação
de cobre, que faz falta para a mineralização dos ossos. Farelo
de trigo ou biscoitos
de fibras podem impedir a absorção de cálcio, principalmente
se a pessoa consumir basicamente farinhas e grãos refinados,
como farinha de trigo branca, pão branco, macarrão branco,
arroz branco. A pessoa que usa grãos integrais não tem esse
problema, a não ser que coma um excesso de fibras adicionais.
Olho nos
minerais e na vitamina c
A ingestão adequada de cálcio,
fósforo, magnésio, manganês, zinco e cobre pode ser decisiva
para a sua saúde óssea; se for o caso, peça à sua médica a
indicação de suplementos.
O magnésio ativa a vitamina D e
permite que o cálcio forme cristais nos ossos. Tem sido usado
em doses de 500 mg diários.
O boro reduz a excreção de cálcio
e magnésio pela urina e tem uma ação positiva sobre o
estradiol-17-beta, que é a forma de estrogênio mais ativa no
sangue. Para obtê-lo você pode aumentar o consumo de alguns
alimentos ricos em boro: brotos de alfafa, repolho, alface,
ervilhas, subprodutos fermentados da soja, maçã, tâmara,
ameixa preta, uva-passa, amêndoas, amendoins.
A vitamina C é fundamental para
a síntese do colágeno, tecido conjuntivo dos ossos. Tem sido
usada a dosagem de 2 g diários.
Suplementos
de cálcio? Não confie
Porque eles podem simplesmente não
funcionar. O sistema mais sofisticado do organismo é o que
cuida da absorção de cálcio. Ele modula a secreção de hormônios,
secreção de muco, utilização de nutrientes, eliminação de
resíduo celular, contração muscular, secreção ácida do estômago,
resposta inflamatória, cura de lesões. A quantidade necessária
a cada momento depende de um conjunto de circunstâncias.
Se você tomar suplementos de cálcio
nas refeições corre o risco de não aproveitar o cálcio e
ainda inibir a absorção de ferro, manganês e zinco,
elementos-traço essenciais à saúde. O Dr. Jeffrey Bland diz
que os suplementos dão uma falsa sensação de segurança às
pessoas – elas acham que é uma resposta fácil para a dificílima
questão de como conduzir a vida. "Sou contra essa
mentalidade band-aid", resmunga.
Capítulo
integral do livro Só Para Mulheres, de Sonia Hirsch

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OSTEOPOROSE
Dra. Cynthia Brandão - cynthia.brandao@fleury.com.br
Dr. Omar M. Hauache - omar.hauache@fleury.com.br
Durante
muitos anos, a osteoporose foi definida como uma redução da
massa óssea total do esqueleto que, no entanto, era
qualitativamente normal. Em 1991, a osteoporose foi redefinida
como uma doença
sistêmica caracterizada por menor massa óssea e deterioração
de sua microarquitetura, com conseqüente aumento da fragilidade
óssea e susceptibilidade a fraturas.
Esta
nova definição reconhece que a fratura é a principal conseqüência
clínica da doença
e identifica a densidade mineral óssea (DMO) baixa e as alterações
estruturais como os fatores de risco mais importantes (Fig. 1).
A osteoporose é a mais comum das doenças ósteo-metabólicas.
Melton e cols. (1), baseados nos critérios da OMS para a
densitometria óssea, estimam que 54% das mulheres americanas de
raça branca tenham osteopenia, enquanto que 30% apresentam
osteoporose.
As
fraturas osteoporóticas podem ocorrer em qualquer sítio ósseo,
exceto o crânio, mas são muito mais freqüentes no punho, na
coluna tóraco-lombar e no fêmur, áreas do esqueleto com predomínio
de osso trabecular. A fratura femoral é a mais temida complicação
da osteoporose, pois resulta em grande morbidade (dor, deformidade
e, incapacidade física) e mortalidade, com enormes repercussões
sócio-econômicas. Sua incidência tem aumentado em todo o mundo
em função da maior sobrevida e do envelhecimento da população
mundial. A incidência é maior em mulheres e na população
branca. Há uma enorme heterogeneidade no risco de fraturas em
diferentes países, sendo que aqueles localizados no norte da
Europa chegam a ter uma incidência 10 vezes maior que os do
Mediterrâneo. As razões para esta variação estão relacionadas
a fatores genéticos e hábitos de vida como níveis de atividade
física e de exposição solar.
A
idade e a deficiência estrogênica relacionada ao climatério são
as causas primárias mais freqüentes de redução da massa óssea.

Figura
1 - Microtomografia com reconstrução em 3D da porção
trabecular de uma vértebra, revelando afilamento e
descontinuidade das trabéculas.

Figura
2 - Osteoporose
Diagnóstico
Existem vários métodos
utilizados para a avaliação da massa óssea: densitometria por
raios X de dupla energia (DEXA), tomografia computadorizada,
ressonância magnética, ultra-som, radiografia simples e biópsia
óssea. No entanto, somente a densitometria óssea é indicada
para o diagnóstico de osteoporose.
Nas
últimas duas décadas, houve um considerável progresso no
desenvolvimento de métodos para a avaliação da densidade
mineral óssea (bone mineral density - BMD), que é responsável
por cerca de 70% da resistência óssea a fraturas. A excelente
correlação entre o risco de ocorrência de fraturas osteoporóticas
e a BMD fez com que a OMS, numa reunião de especialistas em 1994,
estabelecesse a possibilidade do diagnóstico de osteoporose pelo
exame de densitometria óssea, mesmo na ausência de fraturas (2).
Atualmente,
a densitometria óssea por DEXA da coluna lombar e dos fêmures
proximais é considerada o método padrão ouro para o diagnóstico
da osteoporose, para a avaliação do risco de fraturas e para o
acompanhamento da evolução da doença.
De acordo com os critérios da OMS, utiliza-se o T-score (a média
de BMD de adultos jovens normais menos a BMD do paciente, dividido
pelo desvio padrão da média de adultos jovens normais) para o
diagnóstico da osteoporose: valores até -1.0 desvios padrão da
média são considerados normais, valores entre -1.0 e -2.4 d.p.
revelam osteopenia, enquanto que valores maiores ou iguais a -2.5
d.p. diagnosticam osteoporose. Cada desvio padrão abaixo da média
aumenta de 1,5 a 3,0 vezes o risco de fratura, dependendo do sítio
ósseo analisado.
O
ultra-som e a densitometria de sítios periféricos (calcâneo,
falanges e tíbia) podem ser utilizados para avaliação do risco
de fratura, mas não devem ser aplicados para o diagnóstico de
osteoporose. Os critérios da OMS usados para os sítios ósseos
centrais, coluna e fêmur, se aplicados a sítios periféricos,
revelam valores discrepantes quanto à prevalência de
osteoporose. Além disso, não há evidências que as avaliações
periféricas apresentem sensibilidade para a monitorização terapêutica
(3).
O
raio X apresenta pouca sensibilidade para o diagnóstico de
osteoporose, revelando a perda quando já é maior do que 30-50%.
No entanto, é o método de escolha para a verificação de
fraturas, por ser simples e acessível. Tanto no diagnóstico
quanto no acompanhamento terapêutico, a avaliação radiológica
deve acompanhar a densitometria óssea.
A
tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) não
são indicadas para o rastreamento diagnóstico de osteoporose,
pois são métodos de acesso limitado, têm custo elevado e a TC
submete o paciente a níveis elevados de radiação. No entanto, são
úteis na caracterização de fraturas, na avaliação de
comprometimento neurológico e no diagnóstico diferencial de
fraturas compressivas.
Osteoporose
primária versus secundária
A osteoporose primária ocorre
em decorrência da deprivação estrogênica do climatério ou do
próprio processo de envelhecimento. É muito influenciada por
fatores genéticos, embora outras variáveis modificáveis como
atividade física e hábitos alimentares também contribuam para
seu desenvolvimento.
A
osteoporose secundária é definida como resultante de condições
clínicas ou uso de medicamentos que contribuem ou estão
associados à osteoporose. A incidência de osteoporose secundária
é maior na população masculina, podendo corresponder a 64% dos
casos de osteoporose em homens (4), enquanto que atinge cerca de
30% das mulheres (5,6). A causa mais freqüente em ambos os sexos
é o uso de glicocorticóides para tratar doenças inflamatórias
crônicas. Em homens, o hipogonadismo, a hipercalciúria e o
alcoolismo são as causas mais freqüentes, além do uso crônico
de corticóides.
Pacientes
recentemente diagnosticados como osteoporóticos devem ser
avaliados de forma a afastar a presença de uma causa secundária.
Iniciar um tratamento para osteoporose sem investigar doenças
subjacentes pode resultar em insucesso terapêutico e, mais
importante, perder-se a oportunidade de identificar causas tratáveis
de perda óssea ou mesmo doenças sistêmicas graves como o
mieloma múltiplo (7,8).
A
avaliação inicial, após uma anamnese e exames físicos
detalhados, deve se guiar pelo grau de perda óssea. A maioria dos
autores concorda que a avaliação inicial inclui um hemograma com
velocidade de hemosedimentação (VHS), cálcio sérico, fósforo,
creatinina, eletroforese de proteínas séricas, fosfatase
alcalina total ou fração óssea, transaminases e calciúria de
24 horas. A testosterona deve ser dosada em todos os homens
osteoporóticos. Os testes de função tiroideana só devem ser
pedidos quando há suspeita clínica de hipertiroidismo ou o
paciente estiver recebendo medicação hormonal tiroidiana.
Testes
laboratoriais adicionais devem ser realizados se os dados obtidos
até então sugerirem a presença de uma causa secundária ou em
homens e mulheres jovens na pré-menopausa com BMD muito baixo
para a sua faixa etária (T-score < -2.0 d.p.).
Na
tabela 1, estão listadas as doenças que devem ser lembradas
no diagnóstico diferencial da osteoporose secundária, com ou sem
fraturas.
Tabela
1: Causas de osteoporose secundária
Endocrinopatias
Hipogonadismo
Hiperparatiroidismo primário
e secundário
Hipertiroidismo
Hipercortisolismo
Diabetes mellitus
Osteoporose associada à
gravidez
Hematológicas/Infiltrativas de medula
Mastocitose sistêmica
Mieloma/Leucemias/Linfomas
Metástases ósseas
Síndrome
de imunodeficiência adquirida (AIDS)
Neoplasias
produtoras de PTHrp
Doenças renais
Acidose tubular renal
Osteodistrofia renal
Hipercalciúria
Doenças do tecido conectivo
Osteogenesis Imperfecta
Síndrome de Marfan
Homocistinúria
Espondilite Anquilosante
Artrite
reumatóide
Doenças gastro-intestinais
Doenças colestáticas
Doenças inflamatórias
intestinais
Doença
celíaca
Nutrição
parenteral
Gastrectomias
Hemocromatose
Doença
pulmonar obstrutiva crônica
Pós-transplante
Imobilização
Alcoolismo
Corticoterapia
Uso prolongado de heparina, anti-convulsivantes
Tabagismo
Interpretando os resultados
O encontro de diminuição da
reserva funcional hepática e, particularmente, de doenças
obstrutivas está associado à chamada "osteodistrofia hepática",
que pode se manifestar como osteoporose e/ou osteomalácia secundárias
à má-absorção.
O
déficit de função renal, provocando hiperfosfatemia,
hipocalcemia e deficiência de produção de vitamina D ativa,
induz à elevação dos níveis de PTH, caracterizando então um
hiperparatiroidismo secundário.
A
observação de hipercalcemia com valores normais altos
(inadequados para os níveis de cálcio) ou francamente elevados
de PTH fazem o diagnóstico de hiperparatiroidismo primário.
Hipoalbuminemia,
com cálcio e fósforo baixos, e anemia sugerem desnutrição,
tanto primária (déficit nutricional, anorexia nervosa) quanto a
decorrente de doenças crônicas ou síndromes de má-absorção
gastro-intestinais. O encontro de calciúria de 24 horas inferior
a 50mg, com ingestão de cálcio normal (acima de 600g/d), vai
reforçar a suspeita de um quadro de má-absorção, seja por doenças
gastro-intestinais, doença
celíaca
e/ou por deficiência de vitamina D. Valores de calciúria
superiores a 4mg/kg de peso/dia para crianças, ou 200mg/24h para
mulheres e 300mg/24h para homens, indicam hipercalciúria, que
pode ser por perda renal primária de cálcio, hipercalciúria
absortiva (idiopática ou associada a doenças granulomatosas ou
hematológicas que induzem a uma maior produção de vitamina D)
ou por reabsorção óssea excessiva (malignidade,
hiperparatiroidismo, doença
de Paget).
Doenças
mielo ou linfoproliferativas malignas podem se apresentar com
anemia, alterações de leucócitos e plaquetas e alterações das
proteínas séricas. Atenção especial deve ser dada ao diagnóstico
de mieloma múltiplo, em função da prevalência da doença
a partir dos 50 anos e por estar tipicamente associado à
osteoporose e fraturas.
Avaliação
adicional
Os níveis de 25
hidroxivitamina D, o melhor índice da reserva de vitamina D
corporal, ou de 1-25 (OH) vitamina D, o metabólito ativo, devem
ser avaliados quando houver suspeita de osteomalácia, seja
nutricional ou de causa genética.
Quanto
aos marcadores do metabolismo ósseo, discutidos em detalhe em
outro capítulo deste manual, não apresentam utilidade clínica
para o diagnóstico de osteoporose. No entanto, existem evidências
clínicas de sua utilidade na escolha terapêutica, ou seja, as
pacientes com metabolismo ósseo mais acelerado, as perdedoras rápidas
de osso, se beneficiam mais do uso de estrogênios ou drogas
anti-reabsortivas do que as mulheres com turnover normal ou
reduzido. No entanto, os níveis dos marcadores não são capazes
de predizer a perda óssea ou o risco de fraturas para dado
paciente em particular, principalmente em função da enorme
variabilidade individual e mesmo diária dos valores normais.
A
estrogenioterapia diminui os valores tanto dos marcadores de
reabsorção quanto de formação ósseos, os quais voltam aos níveis
pré-menopausais em três a seis meses de terapia. As respostas
aos bisfosfonatos são ainda mais rápidas após seis semanas de
tratamento, particularmente dos marcadores de reabsorção. Deste
modo, os marcadores podem auxiliar o médico na monitorização da
aderência ao tratamento.
Por
outro lado, a utilização dos marcadores para predizer a resposta
ao tratamento, permanece controversa. Chesnut e col (9) observaram
que as pacientes que apresentaram uma queda de 30% nos valores de
NTX durante 12 meses de tratamento com estrogênio, ganharam 2.2
mais massa óssea que as que mantiveram os mesmos níveis iniciais
do marcador. Entretanto, 57% destas mulheres que não atingiram os
30% de queda do NTX também apresentaram algum ganho ou mantiveram
a massa óssea. A monitorização do tratamento da osteoporose
pelos marcadores pode melhorar a aderência do paciente, já que
as alterações dos valores de BMD só serão observadas na
densitometria após pelo menos um ano.
Referências
bibliográficas
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J Epidemiol 1989;129:1000-10.
2. Kanis JA, Melton III LJ, Christiansen C, Johnston CC, Khaltaev
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Collagen monitors therapeutic effect and predicts response of bone
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